quarta-feira, 24 de agosto de 2011

VORTICE DANCE COMPANY


O país das maravilhas que estes portugueses vem construindo ao longo do tempo é um projeto ambicioso. Um pólo de artes, intercâmbio, descentralização da cultura, a democratização do acesso e a internacionalização.
A Vortice Dance Company surgiu quando Rafael Carriço e Cláudia Martins se conheceram na Escola Superior de Dança de Lisboa. Posteriormente, ambos foram convidados para ingressarem no elenco da Cia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e começou a surgir neles um interesse em coreografar e criar suas próprias peças. Foi a partir daí que resolveram sair da Cia e se aventurarem num percurso além fronteiras.
Participaram de muitos festivais e concursos. Venceram alguns importantes prêmios coreografando e foi um ótimo lançamento para o que é o Vortice.Dance hoje.
O público e a crítica , percebe e respeita a qualidade do trabalho da Vortice Dance Company.
Em Portugal a Vortice Dance Company é um ótimo exemplo de descentralização da cultura.
“O “Soliloquy about wonderland” estréia no Brasil em novembro de 2011
O processo criativo iniciou-se em Estocolmo, no Ritz Theater na Suécia, onde Cláudia e Rafael tiveram residência artística.
Fizeram uma primeira apresentação na Dinamarca, em Copenhagen, uma peça inicial de 15 minutos e viram que tinha todo o potencial para ser uma peça única.
“Todos nós temos muitas idéias e muitos pensamentos que nunca colocamos para fora, que ficam dentro de nós e que temos que abordar, sejam alguns aspectos políticos, alguns aspectos ambientais, mesmo emocionais. O que queremos dizer é que esses solilóquios, esses discursos que todos na sociedade temos atualmente e que ficam dentro de nós, acho que é essa comunicação em rede, acho que nós temos que comunicar.” Cláudia Martins

Dança, música, texto e meios audiovisuais por um mundo melhor.


Cia de dança contemporânea portuguesa Vortice.Dance estréia no Brasil em novembro de 2011 com o espetáculo “Soliloquy about wonderland”.
Dança, música, texto e meios audiovisuais por um mundo melhor.
O espetáculo “fala” dos solilóquios, que não são mais do que discursos para nós próprios. “Soliloquy about wonderland” expressa a inevitabilidade da morte, sentimentos de solidão, problemas do coração, questões ambientais com muita plasticidade, tecnologia, talento artístico, emoção e imaginação. Apresentam-se em 03 capitais brasileiras depois de passar por 15 países.
vór.ti.ce sm (lat vortice) Turbilhão, redemoinho, furacão, voragem. Redemoinho que pode surgir numa corrente de água.
A jovem Cia Lusa formada por experientes bailarinos mostra um espetáculo assinado pelos coreógrafos Cláudia Martins e Rafael Carriço, que criaram a Cia em 2002e interpretado pela VORTICE.DANCE, cujo trabalho tem sido reconhecido e premiado internacionalmente, pela critica e pelo público no Japão, Suíça, França, Finlândia, Mônaco, Romênia, Itália, Hungria, Espanha, Látvia, Marrocos, Macedônia, Luxemburgo, Bélgica e Portugal.
SOLILOQUY- solilóquio ou discurso solitário-about – sobre o paraíso, retrata muitas situações do cotidiano aos quais todos nós reagimos instintivamente e de maneira semelhante. São coisas da vida sobre as quais alguém já falou em um discurso perdido, em algum lugar, e que ficaram por isso mesmo.
A inevitabilidade da morte, sentimentos de solidão, problemas do coração,questões ambientais, situações que não seriam fatais se simplesmente fossemos capazes de ouvir... Durante o espetáculo, o público desfrutará de momentos verdadeiramente intimistas, contrastantes com outros momentos de puro prazer,em que os personagens vestem-se de glamour num ambiente noturno e de festa.
Trata-se de uma metamorfose que poderá ser vista como uma terapia, alternativa às desilusões e à incapacidade de, sozinhos, suplantarmos a tristeza do mundo. Mesmo assim, há sempre uma esperança, uma luz que se mantém acesa mesmo debaixo da chuva intensa.
Músicas de Phillip Glass, Maurice Fulton, Eric Satie, Kronos Quartet, Daft Punk, Nino Rota, Oswaldo Farrés, Camille Saint-Sans, Arvo Part, Billie Holiday, Claude Debussy, Charles Chaplin.

terça-feira, 19 de julho de 2011

"Discurso solitário sobre o paraíso" por Vortice Dance Company



SOLILOQUY-solilóquio ou discurso solitário - about the wonderland - sobre o paraíso -, retrata muitas situações do cotidiano às quais todos reagimos instintivamente e de maneira semelhante.

São coisas da vida sobre as quais alguém já falou em um discurso perdido, em algum lugar, e que ficaram por isso mesmo.

A inevitabilidade da morte, sentimentos de solidão, problemas do coração, questões ambientais, situações que não seriam fatais se simplesmente fossemos capazes de ouvir...

Durante o espetáculo, o público desfrutará de momentos verdadeiramente intimistas, contrastantes com outros momentos de puro prazer, em que os personagens vestem-se de glamour num ambiente noturno e de festa.

Trata-se de uma metamorfose que poderá ser vista como uma terapia, alternativa às desilusões e à incapacidade de, sozinhos, suplantarmos a tristeza do mundo. Mesmo assim, há sempre uma esperança, uma luz que se mantém acesa mesmo debaixo da chuva intensa.




http://www.youtube.com/watch?v=h2cvNReHP5c&feature=fvst

A companhia Vortice Dance estreia no Brasil em novembro de 2011 com "Soliloquy about Wonderland", um espetáculo que cruza dança contemporânea, multimedia e utiliza mais de duzentos litros de água em cena.

O Grande Ditador - Charles Chaplin

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!"
http://www.youtube.com/watch?v=h2cvNReHP5c&feature=fvst

sábado, 15 de janeiro de 2011

Who I Am? Elvis Presley


Do you know who I am
Have you have any idea who I am
Yes it's been quite a while
And it's so good to see you again
It's so dark in this place
That I can't see your face
May believe Oh I see
Does he know who I am
And what once was between you and me
Do you know how I tried
Have you any idea how I tried
Not to keep you in sight
Do you know darling how much I cried
I remember you said
That you had to forget about me, and be free
Do you know who I am or have you forgot about me
Do you think there's a chance
You and I could start over again
Is there a prayer you still pray
Or has it just been too long and we're through
Well, what about you and him
Oh he's only a friend
Well I see there's still a chance for me
Well maybe some other time, in some other place
With our love in your heart and a smile on your face
You will know who I am
When that time comes you'll know who I am
You will know who I am
When that time comes you'll know who I am
You will know who I am
When that time comes you'll know who I am

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SER FELIZ

QUERO TUDO E QUERO JÁ !

Quero beijos sinceros e apaixonados!
Quero olhares profundos e translúcidos!
Quero viagens inesquecíveis!
Quero filmes e filmes!
Quero praia, trilha, cachoeira, quero pés descalços !
Quero músicas da nossa época, quero música de boa de qualquer época!
Quero carinho, cafuné e colo!
Quero amigos loucos e felizes!
Quero banho de chuva!
Quero a melhor filha do universo comigo!
Quero cuidar e ser cuidada!
Quero sonhos se realizando!
Quero dinheiro no bolso!
Quero sashimi, pizza, chocolate e coca-cola!
Quero estar rodeada de gente alegre e inteligente!
Quero mar, quero vento, quero sol, quero água de coco!
Quero me jogar, quero voar!
Quero romance, quero sedução, quero amizade e quero companheirismo!
Quero trabalhar, quero descanso!
Quero abraços, muuuuuiiiitos abraços!
Quero apreciar as belezas da vida!
Quero livros com estórias e conteúdo que jamais imaginei!
Quero ouvir música alta e dançar até cansar!
Quero sexo seguro, puro e fogoso!
Quero estar em êxtase e fazer estar em êxtase!
Quero dormir até acordar!
Quero voz ao meu ouvido a cochichar!
Quero quem está longe de volta!
Quero adrenalina, suspense, aventura!
Quero uma marina de idéias!
Quero conhecer muita gente e me apaixonar pelo jeito de cada uma!
Quero cantar desafinadamente no chuveiro!
Quero preparar comidas deliciosas!
Quero chorar de rir!
Quero toque, pele, quero química, desejo!
Quero eventualmente bom vinho e bom champanhe!
Quero noites de lua!
Quero o vento a soprar os meus cabelos a beira mar!
Quero a presença da compreensão!
Quero a felicidade em pequenas coisas!
Quero viver de amor!

QUERO SER FELIZ E TEM QUE SER AGORA !

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Termo CULTURA

A noção mais antiga sobre o termo CULTURA é aquela que opõe os objetos culturais aos objetos naturais. Essa idéia deriva da evolução remota da filosofia na Grécia antiga, do momento em que Sócrates, ou Platão pela boca de Sócrates, abandona a tradição dos filósofos da natureza de se preocuparem exclusivamente com a explicação do mundo físico e passa a polemizar com os sofistas sobre o homem e a sociedade.

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The older notion of the term culture is one that opposes the cultural objects of natural objects. This idea comes from the remote development of philosophy in ancient Greece, the time at which Socrates, Plato or the mouth of Socrates, abandon the tradition of the philosophers of nature focus only on the explanation of the physical world and begins to quarrel with the sophists on man and society.

A teoria de Danto



A teoria de Danto interpreta as transformações ocorridas na arte a partir da década de 60, mais especificamente com o surgimento da arte pop. Segundo Danto, o modo de produção da arte pop, preconizado por Duchamp, consiste na transfiguração do banal: objetos comuns apresentados como arte. Esse tipo de procedimento, generalizado na contemporaneidade, tornou ainda mais tênues os limites entre arte e vida - que já tinham sido colocados em questão pela arte moderna - pois esses objetos banais transfigurados em arte são visualmente iguais aos objetos que permanecem como não-arte (a lata de sopa da galeria é a mesma do supermercado). A questão que se põe é: se os objetos são iguais, por que um é arte e o outro não? Para responder a essa pergunta, Danto (re)elabora noções como mundo da arte, percepção/interpretação, experiência estética e fim da arte. A polêmica idéia de um fim da arte não significa a morte da arte, mas sim o fim das restrições históricas à criação artística e mais especificamente o fim de uma era da arte: a era da estética. SERÁ?
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Danto's theory interprets the changes occurring in the art actions from the 60's, more specifically with the rise of pop art. According to Danto, the mode of production of pop art, recommended by Duchamp, is the transfiguration of the banal: ordinary objects presented as art. This type of procedure, widespread in contemporary times, became even ... Ver maismore blurred the line between art and life - had been brought into question by modern art - as these banal objects transfigured into art is visually identical to the objects that remain as non-art ( a can of soup of the gallery is the same as the supermarket). The question that arises is: if the objects are equal, why one is art and another not? To answer this question, Danto (re) develops notions like the art world, perception / interpretation, aesthetic experience and end of art. The controversial idea of an end of art does not mean the death of art, but the end of historical constraints to art and more specifically the end of an era of art: the age of aesthetics. ???


sábado, 12 de dezembro de 2009

"Para onde vão os peixes dourados "

“Magnólia é alguém comum. De vida regrada, trabalho consistente, rotina metódica, resumindo: sem nada de interessante. Num certo dia, sem motivo aparente. Magnólia começa a receber peixes dourados pelo encanamento de seu apartamento.”



segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Zambo" - Grupo Experimental

Um marco na história do Grupo Experimental, Zambo é Também um retrato de uma época e, mais especificamente, tradução em dança de um movimento que revolucionou o entendimento de cultura: o Manguebeat. No cerne dessa ideologia estético-musical, criada e liderada pelos músicos Chico Science e Fred 04, estava a idéia de uma produção artística que fosse ao mesmo tempo local e universal. Para isso, o acústico regional da forte percussão típica dos maracatus e outros ritmos tradicionais do manancial cultural popular pernambucano se uniram aos elementos eletrônicos do rock e outras referências importadas. No manifesto que regia o carangueijo típico dos manguezaais recifences ganhou uma antena parabólica e passou aser símbolo dos ideais de toda uma geração.


terça-feira, 5 de maio de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Blow Up e outras histórias de Julio Cortazar



Das muitas maneiras de combater o nada, uma das melhores é tirar fotografias, atividade que deveria ensinar-se muito cedo às crianças, pois exige disciplina, educação estética, golpe de vista e dedos seguros. Não se trata de espreitar a mentira como qualquer repórter, e apanhar o estúpido perfil da grande personagem que sai do n.º 10 de Downing Street, mas, de qualquer modo, quando se anda com a câmara tem-se o dever de estar atento, de não perder esse brusco e delicioso reflexo de um raio de sol numa velha pedra, ou a corrida com as tranças ao vento de uma garota que volta com um pão ou uma garrafa de leite. Michel sabia que o fotógrafo opera sempre com uma alteração da sua maneira pessoal de ver o mundo para outra que a câmara lhe impõe insidiosa (agora passa uma grande nuvem quase negra), mas não o desconfiava, sabedor de que lhe bastava sair sem a Contax para recuperar o tom distraído, a visão sem enquadramento, a luz sem diafragma nem 1/250. Agora mesmo (que palavra, agora que estúpida mentira!) podia ficar sentado no muro sobre o rio, vendo passar as barcaças negras e vermelhas, sem que me ocorresse pensar fotogràficamente as cenas, deixando-me simplesmente ir no deixar-se ir das coisas, correndo imóvel com o tempo. E o vento já não soprava.
(...)

in Blow Up e outras histórias de Julio Cortazar...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O olho

Ora, não percebeis que com os olhos alcançais toda a beleza do mundo?
O olho é o senhor da astronomia e o autor da cosmografia; ele desvenda e corrige toda a arte da humanidade; conduz os homens as partes mais distantes do mundo; é o príncipe da matemática, e as ciências que o têm por fundamento são perfeitamente corretas.
O olho mede a distância e o tamanho das estrelas; encontra os elementos e suas localizações; ele... deu origem a arquitetura, a perspectiva, e a divina arte da pintura.
...Que povos, que línguas poderão descrever completamente sua função!
O olho é a janela do corpo humano pela qual ele abre os caminhos e se deleita com a beleza do mundo.
LEONARDO DA VINCI 1452-1519

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Aprender a pensar é descobrir o olhar

A diferença entre ver e olhar é tanto uma distinção semântica que se torna importante em nossos sofisticados jogos de linguagem tomados da tarefa de compreender a condição humana – e, nela, especialmente as artes –, quanto um lugar comum de nossa experiência.
Basta pensar um pouco e a diferença das palavras, uma diferença de significantes, pode revelar uma diferença em nossos gestos, ações e comportamentos.
Nossa cultura visual é vasta e rica, entretanto, estamos submetidos a um mundo de imagens que muitas vezes não entendemos e, por isso, podemos dizer que vemos e não vemos, olhamos e não olhamos.
O tema ver-olhar – antigo como a filosofia e a arte – torna- se cada vez mais fundamental no mundo das artes e estas o território por excelência de seu exercício.
Mas se as artes nos ensinam a ver – olhar, é porque nos possibilitam camuflagens e ocultamentos.
Só podemos ver quando aprendemos que algo não está à mostra e podemos sabê-lo.
Portanto, para ver olhar, é preciso pensar.
Ver está implicado ao sentido físico da visão.
Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo.
Ver é reto, olhar é sinuoso.
Ver é sintético, olhar é analítico.
Ver é imediato, olhar é mediado.
A imediaticidade do ver torna-o um evento objetivo.
Vê-se um fantasma, mas não se olha um fantasma.
Vemos televisão, enquanto olhamos uma paisagem, uma pintura.
A lentidão é do olhar, a rapidez é própria ao ver.
O olhar é feito de mediações próprias à temporalidade.
Ele sempre se dá no tempo, mesmo que nos remeta a um além do tempo.
Ver, todavia, não nos dá a medida de nenhuma temporalidade, tal o modo instantâneo com que o realizamos.
Ver não nos faz pensar, ver nos choca ou nem sequer nos atinge.
As mediações do olhar, por sua vez, colocam-no no registro do corpo: no olhar – ao olhar - vejo algo, mas já vitimado por tudo o que atrapalha minha atenção retirando-a da espécie sintética do ver e registrando- a num gesto analítico que me faz passear por entre estilhaços e fragmentos a compor – em algum momento – um todo.
O olhar mostra que não é fácil ver e que é preciso ver, ainda que pareça impossível, pois no olhar o objeto visto aparece em seus estilhaços de ser e só com muito custo é que se recupera para ele a síntese que nos possibilita reconstruir o objeto.
É como se depois de ver fosse necessário olhar, para então, novamente ver.
Há, assim, uma dinâmica, um movimento - podemos dizer - um ritmo em um processo de olhar-ver.
Ver e olhar se complementam, são dois movimentos do mesmo gesto que envolve sensibilidade e atenção.
O olhar diz-nos que não temos o objeto e, todavia, nos dispõe no esforço de reconstituí-lo.
O olhar nos faz perder o objeto que visto parecia capturado.
Para que reconstituí-lo?
Para realmente captura-lo.
Mas essa captura que se dá no olhar é dialética: perder e reencontrar são os momentos tensos no jogo da visão.
Há, entretanto, ainda outro motivo para buscar reconstruir o objeto do olhar: para não perder além do objeto, eu mesmo, que nasço, como sujeito, do objeto que contemplo – construo enquanto contemplo.
Olhar é também uma questão de sobrevivência.
Ver, por sua vez, nos liberta de saber e pode nos libertar de ser.
Se o olhar precisa do pensamento e ver abdica dele, podemos dizer que o sujeito que olha existe, enquanto que o sujeito que vê, não necessariamente existe.
Penso, logo existo: olho, logo existo.
Eis uma formulação para nosso problema.
Mas se não existo pelo ver, não estou implicado por ele nem à vida, nem à morte.
Ver nos distancia da morte, olhar nos relaciona a ela.
O saber que advém do olhar é sempre uma informação sobre a morte.
A morte é a imagem.
A imagem é, antes, a morte.
Ver não me diz nada sobre a morte, é apenas um primeiro momento.
Ver é um nascimento, é primeiro.
O olhar é a ruminação do ver: sua experiência alongada no tempo e no espaço e que, por isso, nos instaura em outra consistência de ser.
Por isso, nossa cultura hipervisual dirige-se ao avanço das tecnologias do ver, mas não do olhar. É natural que venhamos a desenvolver uma relação de mercadoria com os objetos visualizáveis e visíveis.
O olhar implica, de sua parte, o invisível do objeto: a coisa.
Ele nos lança na experiência metafísica.
Desarvoranos a perspectiva, perturba-nos.
Por isso o evitamos.
Todavia, ainda que a mediação implicada no olhar faça dele um acontecimento esparso, pois o olhar exige que se passeie na imagem e esse passear na imagem traça a correspondência ao que não é visto, é o olhar que nos devolve ao objeto – mas não nos devolve o objeto - não sem antes dar-nos sua presença angustiada.
O olhar está, em se tratando do uso filosófico do conceito, ligado à contemplação, termo que usamos para traduzir a expressão Theorein, o ato do pensamento de teor contemplativo, ou seja, o pensar que se dá no gesto primeiro da atenção às coisas até a visão das idéias tal como se vê na filosofia platônica.
Paul Valéry disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver.
Dirá Lacan: ver é perder.
Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo.
O que se mostra só se mostra por que não o vemos.
Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver.
Uma obra de arte não nos deixa ver.
Ela nos faz pensar.
Então, olhamos para ela e vemos.
Márcia Tiburi
Artigo originalmente publicado pelo Jornal do Margs, edição 103 (setembro/outubro).http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Biblioteca de Babel

..." A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível."...
..." em alguma estante de algum hexágono (racionaram os homens) deve existir um livro que seja a cifrae o compêndio perfeito de todos os demais: algum bibliotecário o consultou e é análogo a um deus. Na linguagem desta zona persistem ainda vestígios do culto desse funcionário remoto. Muitos peregrinaram em busca d'Ele. Durante um século trilharam em vão os mais diversos rumos. Como localizar o venerado hexágono secreto que o hospedava? Alguém propôs um método regressivo: para localizar o livro A, consultar previamente um livro B, que indique o lugar de A; para localizar o livro B, consultar previamente um livro C, e assim até o infinito...As aventuras dessas, prodigalizei e consumi mes anos. Não me parece inverossímil que em alguma divisão do universo haja um livro total ( Repito-o: basta que um livro seja possível para que exista. Somente está excluído o impossível. Por exemplo: nenhum livro é ao mesmo tempo uma escada, ainda que, sem dúvida, haja livros que discutam e neguem e demostrem essa possibilidade e outros cuja estrutura corresponde à de uma escada) , rogo aos deuses ignorados que um homem - um só, ainda que seja há mil anos! - o tenha examinado e lido. Se a honra e a sabedoria e a felicidade não são para mim, que sejam para outros. Que o céu exista, embora meu lugar seja o inferno. Que padeça eu de ultraje e aniquilação, mas que num instante, num ser, Tua enorme Biblioteca se justifique.
Asseguram os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável ( e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa exceção. Falam (eu o sei) de " a Biblioteca febril, cujos fortuitos volumes correm o incessante risco de transformar-se em outros e que tudo afirmam, negam e confundem como uma divindade que delira". Essas palavras, que não apenas denunciam a desordem mas que também a exemplificam, provam, evidentemente, seu gosto péssimo e sua desesperada ignorância. Com efeito, a Biblioteca inclui todas asa estruturas verbais, todas as variantes que permitem os vinte e cinco símbolos ortográficos, porém não um só disprate absoluto. Inútil observar que o melhor volume dos muitos hexágonos que administro intitula-se "Trono penteado", e outro "A Cãibra de gesso" e outro "Axaxás mlö. Essas proposições, à primeira vista incoerentes, sem dúvida são passíveis de uma justificação criptográfica ou alegórica; essa justificação é verbal e, ex hypothesi, já figura na Biblioteca. Não posso combinar certos caracteres dhcmrlchtdj que a divina Biblioteca não tenha previsto e que em algumas de sua língua secretanão contenham um terrível sentido. NInguém pode articular uma sílaba que não esteja cheia de ternuras e temores; que não seja em uma dessaslinguagens o nome poderoso de um deus.Falar é incorrer em tautologias..."
..." Ouso insinuar esta solução do antigo problema: a Biblioteca é limitda e periódica. Se um eterno viajor a atravessasse em qualquer direção, comprovariaao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem:a Ordem).
Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança."
"Ficções" de Jorge Luís Borges
conto: A Biblioteca de Babel

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Percepção

Perceber é conhece, através do sentidos, objetos e situações.
O ato implica, como condição necessária, a proximidade do objeto no espaço e no tempo, bem como a possibilidade de se lhe ter aceso direto ou imediato. Objetos distante no tempo não podem ser percebidos. Podem ser evocados ou imaginados. Podem se, ainda, pensados.
De qualquer modo fica excluída a possibilidade de serem percebidos. Também não podem ser percebido objetos distantes no espaço quando ultrapassados os limites operacionais dos órgãos receptores ou quando obstruídos por barreiras. A distância no espaço, tanto quanto a inacessibilidade direta ou indireta, exclui o ato perceptual. Fica, em tais circunstâncias, aberta, apenas, a possibilidade de serem pensados ou imaginados.
O ato de perceber ainda pode caracterizar-se pela limitação informativa. Percebe-se em função de uma perspectiva. A possibilidade de apreender a totalidade do objeto apenas ocorre na imaginação, que, por outro lado, constitui forma de organização da consciência inteiramente protegida contra o erro*.
A percepção, é, assim, forma restrita de captação de conhecimento.
A possibilidade de maior enriquecimento informativo terá que ser atingida por uma multiplicação de processos perceptuais, ou através dos atos do pensamento.
Nos processos perceptivos a apreensão dos objetos não se subordina a decisões voluntárias, como ocorre nos processos imaginativos**. Complementa-se a sua caracterização quando se recorda que nela os objetos são assimilados em função de um contexto ou sistema de referência, do qual retiram algumas de suas propriedades, pois que a que se revelam não podem ser consideradas inerentemente suas.
A percepção só se cumpre através sentidos implicando nova possibilidade de caracterizar-se e de distinguir-se das atividades do pensamento.
* Sartre, J.P. - " L'Imaginaire"
** Jaspers, K. - "Psicopatología General"

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Olhar

A percepção de imagens não demanda aprendizado, livres dos códigos da linguagem escrita, a apreensão da imagem é rápida, emocional e, em consequência, memorizável com maior facilidade.

" Ver é alojar. Cortar a lógica linear das palavras, escapar dos corredores da sintaxe, e abraçar de um golpe só, toda a vida anterior. Maravilhoso curto-circuito: a velocidade mais a infância. Justapõe sem hierarquizar, sem seguir a linha ou virar a página."

"Vie et Mort de I'mage" - Regys Debray
Não conseguimos ler textos em outras línguas, mas podemos interpretar imagens de qualquer procedência.
Aqui começo a registrar os meus olhares na diversidade dessa vida tão repleta de maravilhas e surpresas!

Olhos nos olhos

"Saiu da caverna de Platão
e passou a Galáxia de Guttemberg,
à direita, uma via longa conduz à videosfera,
onde estamos nos perdendo.
Venha, é percurso breve,
esclarecedor,
a seguir só com os olhos."

Mario Kuperman